História

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Capitulo 1º

Caracterização geográfica

O Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar encontra-se situado no Lumiar e, portanto, a norte da cidade de Lisboa. Com uma área de cerca de 6 hectares, o que equivale, a aproximadamente 1% da área total da freguesia do Lumiar, o Bairro da Cruz Vermelha está “encravado” entre a zona do Lumiar centro e a actual zona designada por Alto do Lumiar, zona pobre na década de sessenta, caracterizada pelo conjunto de barracas (zona  da Musgueira), que veio a ser derrubada no final do ano 2001 e muitas dessas famílias transferidas para a rua Maria Alice, rua Maria José da Guias e rua Maria Carlota.

O principal eixo viário que serve o  Bairro é a Estrada da Torre, rua antiga do Lumiar e que é ainda  via principal de acesso ao Bairro.

O espaço do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar começou por ser um espaço baldio.

No século XX, foi utilizado como terreno para cultivar os cereais que alimentavam a fábrica da farinha que funcionou no Bairro.

O terreno do Bairro não era bom. Tem características geológicas de tipo arenoso e por isso foi explorado, como areeiro, até pouco antes da década de sessenta.

Para solidificar os terrenos e tapar os buracos resultantes da exploração de areia, de modo a poder urbanizar a zona, o Sr. Castanheira de Moura, antigo proprietário do espaço do Bairro da Cruz Vermelha, comprou lixo urbano para encher os referidos buracos, servindo assim de aterro sanitário da Câmara Municipal de Lisboa. Actual zona da Malha 14.

Este facto, viria a determinar, mais tarde aquando da construção das casas no Bairro, a localização das habitações mais baixas. Estas foram construídas na zona de terreno não muito consistente (em cima do aterro sanitário) e os prédios altos foram construídos na zona alta do Bairro, visto ali o terreno ser sólido.

                

Capitulo 2 º

A construção do Bairro

 A construção do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar desenvolveu-se em dois períodos distintos. Uma primeira fase, que vai de 15 de Julho de 1963 a Dezembro de 1963 e, um segundo período que vai de Dezembro de 1963 a 1970.

Durante o período que vai de 1970 a Abril 1974, assistiu-se a uma fase caracterizada pela experiência e ensaio de todos os equipamentos até à data construídos.

A primeira fase caracteriza-se por ser a etapa da primeira “colonização” do espaço que servia de aterro sanitário da Câmara Municipal de Lisboa, onde viriam viver as primeiras 21 famílias carenciadas.

A segunda fase caracteriza-se pela  construção de edificios com reais condições de habitabilidade, com a construção de infra-estruturas e de inúmeros equipamentos de apoio à Comunidade que, cresceria para 262 famílias pobres em 1970.

            Capitulo 3 º      

1º fase da construção do bairro (Julho a Dezembro de 1963);

Razões e origem da construção do bairro: entre casos e necessidades

A ideia e a motivação de construir o Bairro da Cruz Vermelha surgiram após um incêndio, ocorrido no dia 15 Julho de 1963, na Quinta da Feiteira à Charneca do Lumiar, que havia destruído 14 barracas – um aglomerado habitacional conhecido como “Casas do Olimpo”.

O incêndio deu-se após a explosão de um fogareiro de petróleo que, logo de seguida, lançou fogo ao conjunto de habitação e, em poucos minutos, às dezassete frágeis casas. Catorze foram totalmente destruídas pelas chamas.

Eram 17 horas quando deflagrou o acidente. Nas habitações apenas se encontravam as esposas dos homens que na sua maior parte trabalhava na construção civil. As mulheres, por seu lado, exerciam a profissão de “mulher-a-dias”.

O acidente deu-se no lar de António Francisco, casado e com 5 filhos. Estava a esposa do Sr. António a preparar o jantar no fogareiro a petróleo quando de repente, o velho fogareiro rebentou. Com isto, apenas houve tempo de tirar os filhos e fugir para longe.

Entretanto, o fogo propagou-se ao resto do aglomerado habitacional, contribuindo para isso, o forte vento que se fazia sentir por toda a encosta.

Chamados os bombeiros e extinto o incêndio, constatou-se que os moradores tinham perdido, para além da sua casa, também os seus bens: mobiliário, roupa, animais de estimação e de criação, etc.

É de registar que o “Diário de Noticias” destacou entre outros factos da altura este acidente. O acto corajoso de três homens que salvaram do fogo duas crianças que já dormiam nos berços e cujos pais estavam ausentes.

No dia seguinte – dia 16 de Julho de 1963 – a zona acidentada foi visitada pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e pela Direcção da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa.

          

Desta visita resultou a proposta, de iniciativa do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, general França Borges, que na próxima reunião pública da edilidade fosse defendida a ideia de ceder um terreno necessário para a construção de novas habitações. Juntamente com as habitações deveriam ser contempladas as respectivas redes de abastecimento de água e de esgotos na Quinta da Musgueira, ao Lumiar (o que viria a ser denominado mais tarde como “Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar”).

Por sua vez, a Sr.ª D. Maria Margarida, Presidente da Direcção da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, manifestou a vontade de ajudar as vítimas deste incêndio na procura de casas dignas para habitação.

Maria Margarida e as suas colegas de Direcção estiveram no local da tragédia, a fazer inventário das famílias que ficaram sem abrigo. Posteriormente distribuíram agasalhos. Maria Margarida acerca deste momento relatou: ” Prometemos fazer tudo o que pudéssemos nesse sentido e abandonámos tristemente esse local ermo, tão sujo e tão triste, onde uma centena de pessoas, homens, mulheres e crianças, ficavam chorando, olhando dolorosamente à sua volta, remexendo teimosamente nas cinzas, nas cinzas vã de salvar ainda algum modesto utensílio que fora seu.”

( depoimento – Maria Margarida)

Maria Margarida recorda que quando se deslocaram ao local que “as pessoas o que queriam era casas” e sobre esta questão a ideia “era fazer coisa nenhuma”

Segundo um outro relatório da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa tinham ardido 14 barracas restando apenas 3 famílias com casas intactas.

Até que tenham a sua nova casa terão que aguardar em aglomerados habitacionais provisórios, em casas de famílias ou mesmo debaixo de plásticos, madeiras ou até de folhas de lata.

Após esta visita surgiu uma notícia no jornal “Diário de Notícias” a dizer que as senhoras da Cruz Vermelha iam arranjar casas. “O que era mentira” defende -se Maria Margarida.Contava a notícia: “Por sua vez, a Sr.ª D. Maria Margarida Fernandes Thomáz de Morais, Presidente da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha, aproveitando todos os recursos disponíveis, vai abalançar-se a construir as casas, além de, na medida do possível, as mobilar e fornecer roupas de cama e de vestir. Ontem de manhã, aquela senhora e as suas colegas Sr.ª D. Maria Carlota Pinto Bastos, D. Maria Helena Spínola e D. Nina Fernandes Thomáz estiveram no local da tragédia, a fazer demorado inventário das famílias que ficaram sem abrigo. Em face do que viram e ouviram, as incansáveis senhoras da benemérita instituição foram à pressa, à sede da Secção Auxiliar Feminina, recolher todas as peças de roupa de uso pessoal em armazém e, de tarde, lá estavam novamente a distribuí-las” (Diário de Noticias, 17.7.63,p.1)

“Assim, está decidido recolhê-las num aglomerado habitacional provisório até estarem prontas as suas novas casas, o que se espera possa acontecer em pouco mais de quinze dias.” (DN, 17.07.63,p.7)

Com esta notícia incorrecta o jornal “Diário de Notícias” comprometeu a Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa.

Mas felizmente há azares que vêm por bem. Em resultado desta notícia o Sr. Sérgio Geraldes Barba, administrador da Tecnical – empresa ligada ao ramo da construção civil – que a tinha lido, disponibilizou-se para fornecer material e mão-de-obra para a construção das primeiras casas. Encarregando-se este de as fazer se, a Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, quisesse a construção das casas sem qualquer lucro para a empresa que dirigia.

Segundo Maria Margarida, este nunca a chegou a ver. Resolveu tudo por telefone.

Não era a primeira vez que este se oferecia para ajudar a Cruz Vermelha Portuguesa.

E, por entre acasos e sorte, a ideia de construir o Bairro naquele local começava a tomar forma.

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 Capitulo 4 º –  

Campanha de angariação de fundos e as entidades apoiantes

 A angariação de fundos para a construção das casas que tinham ardido começara sem que ninguém realmente a tivesse programasse.

De imediato, pressionada pelo público e pelas vítimas do incêndio a Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa entrou em contacto com a Câmara Municipal de Lisboa, onde lhes foi dito, apesar de toda a sua boa vontade, não existir de momento uma única casa livre para dar, tendo sim, terreno onde essas pessoas poderiam construir as suas barracas.

A Câmara Municipal de Lisboa viria a cumprir esta promessa adquirindo o terreno da propriedade da família do Sr. Castanheira de Moura, gastando para isso, segundo o próprio presidente da edilidade, cerca de dez mil contos na aquisição dos 6 hectares do futuro Bairro da Cruz Vermelha.

Sabendo pelo que tinham visto, não terem os moradores sinistrados da Quinta da Feiteira a possibilidade de eles próprios construírem as suas casas, a Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa comprometeu-se a tomar a responsabilidade da construção desses novos lares.

Este gesto, se bem que um pouco para além do que era realmente possível fazer, demonstrou uma enorme coragem e vontade de realizar um sonho. Maria Margarida  sobre isto escreveu: “Não sei porque rasgo temerário de boa vontade, ousámos fazer essa promessa, pois não possuíamos qualquer verba que nos servisse de ponto de partida para essa construção, de que até ignorávamos o custo aproximado, o que sei, é que ao voltarmos nessa mesma tarde ao local do incêndio com as roupas e víveres que prometêramos, havia em nós uma certeza cheia de fé, de que seria possível – quase, diria fácil – construir 14 barracas para alojar essas pessoas.”

O Sr. Sérgio Geraldes Barba viu a notícia do “DN” e disponibilizou-se para fornecer material e mão-de-obra para a construção das primeiras 21 casas. Maria Margarida afirma hoje nunca o ter visto. Resolveu tudo por telefone. Maria Margarida: “ainda não sei, ainda hoje, como é que arranjei 300 contos para construir 21 casas.(…)Não ficamos a dever nada a ninguém.”

Sobre esta campanha de angariação de verbas relata o “Diário de Notícias “: “E assim, sempre com a graça de Deus, puderam as beneméritas Senhoras da Cruz Vermelha Portuguesa levantar já, até hoje, 21 casas, que estão a abrigar outras tantas famílias, num total de 105 pessoas. Sem qualquer propaganda pública, apenas à custa de um silencioso e persistente esforço, conseguiram reunir as verbas necessárias para a construção e respectivo mobiliário, que excederam os 300 contos! Não será esta obra admirável?”

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Capitulo 5º-

Projecto de urbanização e a construção do Bairro        

Tal como era objectivo inicial a ideia de oferecer barracas de madeira repugnava a todos. Deste modo, aprovou-se o projecto que consistia na edificação de pequenas casas de pedra e cal, modestas, mas com o mínimo indispensável de forma a nelas viverem seres humanos.

O projecto foi executado e posto em prática pela “Tecnical” (Empresa de Construções S.A.R.L.). O projecto foi da autoria do Sr. Severino, funcionário desta empresa.

A construção dessas 21 casinhas de pedra e cal foi realizada com a rapidez que a Secção Auxiliar Feminina desejou (em 6 meses), ajudando para isso o sentido de cooperação dessa empresa, que não só não adiou os prazos de pagamento, como também prescindiu, para este caso humanitário, dos lucros que lhe são normais. Para Maria Margarida tudo isto foi um verdadeiro milagre. Era incrível como se estava a conseguir solucionar um problema desta dimensão sem que, inicialmente, houvesse dinheiro.

Graças à oferta de madeiras, telhas, mão-de-obra e outro tipo de material, foi possível concretizar um sonho. No entanto, o resultado final não foi aquilo que inicialmente foi idealizado, segundo o projectista Sr. Severino.

O custo final de cada casa ficou em 12.000$00 cada.

A tarefa da Cruz Vermelha Portuguesa nisto tudo foi o de coordenar os trabalhos e todo o projecto.

As primeiras casas construídas ficaram então prontas para serem habitadas por 21 famílias, num total de 105 pessoas. Para além do material oferecido, foi ainda entregue um fogão para a cozinha juntamente com a chave da casa,. A casa de banho estava devidamente equipada e os quartos continham beliches, camas e cobertores.

Em síntese, após o incêndio de 15 de Julho de 1963 e sem qualquer campanha pública, conseguiu-se erguer e pagar 21 casas embora modestamente mobiladas, As chaves foram entregues no dia 22 de Dezembro do mesmo ano, 6 meses após aquele dia triste em que arderam 14 barracas na Charneca do Lumiar.

2-maria-margarida-entrega-de-casasCapitulo 6 º –

A entrega das primeiras casas e o arranque da 2ª fase de construção do bairro

 

A entrega das chaves das casas realizou-se na tarde do dia 21 de Dezembro, pelas 16 horas, dia de sol e na presença do Ministro da Defesa Nacional, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e de alguns vereadores da edilidade, do Pároco da Freguesia e do Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar.

A inauguração das casas, completamente mobiladas e com roupa, louças e todos os restantes utensílios, possuiam quartos para os membros do agregado familiar, cozinha e casa de banho.

O jornal “Novidades”, de 22 de Dezembro de 1963, retratando o início deste novo Bairro escrevia: “É uma pequena cidade, sui géneris, que surge na periferia de Lisboa”

 2ª Fase:

 Dezembro de 1963 – 1970

Em resultado do sucesso de toda a iniciativa que foi noticiada pelo “Diário de Notícias” e, em particular, após a saída da notícia da atribuição das 21 casas para todas as vítimas da Quinta da Feiteira e outros sem habitação digna, Maria Margarida enquanto presidente da Direcção daquela instituição foi chamada no dia 22 de Dezembro de 1963 para uma entrevista na Rádio Televisão Portuguesa (RTP).

Maria Margarida sobre isto recorda: “ainda com o pensamento, o coração e a alma inteiramente dominados pelo que vira nesse contacto mais fundo com o que constitui um dos mais angustiosos problemas do mundo inteiro, lembrei-me que, se todos nós nos quiséssemos interessar por esse problema, dedicando-lhe um pouco de atenção, com um mínimo de sacrifício, poderíamos, não evidentemente resolver, mas pelo menos ajudar e participar na sua resolução. E então, perguntei se alguém já tinha pensado, quantas casas se construiriam, se cada um, daqueles que constituíam o milhão de espectadores que habitualmente vê televisão, enviasse apenas um escudo.”  

Surpreendido pela questão, o entrevistador não conseguiu responder com segurança à questão, o mesmo acontecendo com Maria Margarida, resultando uma situação embaraçosa e ao mesmo tempo cómica. Quem viu o programa pensou que foi uma cena combinada, mas não tinha sido.

Mal saiu do estúdio da entrevista e ainda dentro da RTP, Maria Margarida encontra Maria Helena Spínola já a chorar e tudo porque, entretanto, já tinham aderido àquela causa muitas pessoas; a começar pelas pessoas da RTP. Dizia Maria Helena : “Já temos uma porção de casas!”

A pergunta ” quantas casas se construiriam, se cada um, daqueles que constituíam o milhão de espectadores que habitualmente vê televisão, enviasse apenas um escudo (?)”  feita sem qualquer intenção definida encontrou um eco espantoso.

De imediato, após a emissão começaram a enviar os seus “Dez tostões” multiplicados ou não, conforme as suas possibilidades de cada um.

Daqui em diante foi um corrupio.

A partir daqui e perante a reacção das pessoas, Maria Margarida sentiu que havia condições para avançar com uma campanha de angariação de fundos para a construção de novas casas.

 Capitulo 7º

Campanha de angariação de fundos e as entidadesapoiantes

“ Maravilhadas, quase incrédulas perante este primeiro e espontâneo gesto de profunda solidariedade humana” a Direcção da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa procurou o Exm.º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa para tentar obter a sua autorização para continuar a obra iniciada em Julho de 1963. O general França Borges, segundo Maria Margarida pôs de imediato inteira e incondicionalmente todo o terreno necessário à disposição, para que no caso de haver possibilidade de construir mais casas, existir desde já um terreno para a sua construção. Prometeu ainda realizar toda a urbanização, isto é, a  Câmara Municipal de Lisboa ficaria responsável pela implementação de esgotos, água, luz, etc.

A seguir procuraram auxílio junto do jornal de tiragem nacional “Diário de Notícias”, o qual reagiu na forma da campanha “Dez tostões para uma casa” tal como queriam as senhoras da Cruz Vermelha Portuguesa

4-maria-margarida-augusto-castro-dnA campanha “Dez tostões para uma casa” 

No dia 20 de Fevereiro de 1964 saía a primeira notícia relativa à campanha de angariação de fundos “Dez tostões para uma casa” na primeira página do jornal “Diário de Notícias”(como podemos ver no anexo). Esta campanha foi a reacção à atitude iniciada pelas senhoras da Cruz Vermelha Portuguesa que, “cheias de entusiasmo, com o coração a cantar de alegria, de esperança e de fé”, procuraram o Exm.º Senhor Dr. Augusto de Castro, director e proprietário do jornal “Diário de Notícias” para lhe pedirem que o seu jornal patrocinasse uma campanha, para “construção de casas para pessoas de modestos recursos”. A ideia terá agradado plenamente, pelo que de imediato, o Dr. Augusto Castro encarregou dessa campanha, um dos seus mais ilustres jornalistas, o Senhor Artur Maciel.

E assim, nascia a campanha “Dez tostões para uma casa”- nome sugerido pelo jornalista Artur Maciel e prontamente aceite por Maria Margarida que, em cada linha escrita por Artur Maciel, soube sentir e, coisa rara, comunicar ao público, todo o entusiasmo, toda a compreensão, e o muito carinho, que desde a primeira hora dedicou a esta causa.

O Diário de Notícias, desde logo ofereceu uma casa para o novo Bairro.

De norte a sul de Portugal, as reacções em forma de palavras de encorajamento iam-se traduzindo em donativos.

A base das dádivas era apenas de um escudo.

Os locais de recolha dos fundos eram todas as delegações da Cruz Vermelha existentes no País, a sede e as delegações do Porto e de Coimbra do DN.

Para que a recolha de dádivas fosse acessível a todo o país e a sua entrega fácil, os agentes do “Diário de Noticias” na província estarão igualmente dispostos a receber os donativos. Do Minho ao Algarve, por todo o país, se disponibilizaram para ajudar.

Para além destes locais, a recolha de donativos foi feita em repartições de serviços de Estado, organismos corporativos, secções de bancos, escritórios de empresas industriais, casas de comércio, escolas, hospitais e outras instituições, assim como entre núcleos de telespectadores, habitantes de prédios e de ruas, membros de famílias, grupos de pessoas amigas, em tudo isso demonstrando quanto a campanha “Dez tostões para uma casa” se popularizou.

Os agentes do “Diário de Noticias” na província estiveram igualmente dispostos a receber os donativos.

Das diversas firmas que aderiram, muitas pediram mealheiros para angariar fundos para a magnífica ideia: um escudo para a construção de uma casa.

Maria Margarida sobre a campanha lembra-se: “o telefone nunca parava”. A reacção à campanha foi um êxito. Não só houve uma adesão popular como também por parte das empresas. Houve ofertas de tudo: material de construção e mão-de-obra.

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