As casas de Lisboa, também contam historias

Podia ser um artigo de interesse local, mas considerando que estamos perante mais um caso de vandalismo histórico, o problema passa a ser de interesse Nacional.

Situada junto ao Museu do Traje, no Lumiar em Lisboa, junto a um largo que baptizaram com o nome do olisipógrafo, próximo da Academia Musical 1º de Junho de 1893, localizamos a Ruína da casa a onde viveu Júlio Castilho.

Júlio de Castilho era filho do escritor António Feliciano de Castilho e de sua segunda mulher D. Ana Carlota Xavier Vidal de Castilho e irmão do militar e político  Augusto de Castilho.

Foi a maior referência da olissipografia, foi ele próprio que a inventou. As suas investigações sobre a capital além de exaustivas e minuciosas foram precursoras de uma actividade inexistente até então. O estudo da história e arqueologia de Lisboa.

Foi dramaturgo, jornalista, politico, historiador e professor do infante D. Luís Filipe, foi também sócio efectivo da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa do Instituto de Coimbra, do Gabinete de Português de Leitura de Pernambuco, do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris.

 Desde 1997 que é propriedade da Câmara de Lisboa, esta casa está classificada como imóvel de interesse público, integrado no conjunto do Paço do Lumiar

 Nos casos em que o património está ameaçado a câmara pode até expropriar os imóveis, mas como é que a CML pode aplicar a expropriação, quando a própria câmara não dá o exemplo, como é o caso da casa de Júlio de Castilho.

 Na fachada, bem lá no alto, pregaram uma lápide de homenagem ao olisipógrafo. Mas as letras estão gastas e escondidas pelos tufos de erva que ali crescem.

 Somos um Povo com pouca consciência cultural, possivelmente um problema de falta de sensibilidade, é evidente que estamos em crise, mas a falta de dinheiro, tem servido de desculpa para muita coisa.

Considero importante sinalizar a casa a onde viveu Júlio Castilho, alguns já o fizeram, mas não foi ainda dado o primeiro passo pela CML, para a sua recuperação.

Na minha opinião Câmara Municipal de Lisboa, devia contribuir, para o bom exemplo sobre património devoluto e neste caso, até podia ser uma referência em termos Culturais.

João Carlos Antunes

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