Foi com pesar que A Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha no Lumiar, tomou conhecimento da noticia do falecimento do no nosso sócio e Ex-director João Teixeira;
Todos nós lembraremos do Sr. João Teixeira, como uma pessoa sempre disposta a ajudar, sempre foi muito querido por todos aqueles com quem ele partilhou o seu trabalho e as suas idéias dentro do seio da Associação.
Quem era o Sr. João Teixeira
O Sr. João Teixeira é uma figura incontornável dos antigos bairros do Lumiar.
Viveu na Musgueira Norte (no centro do Bairro) e, a partir dos anos 70, num prédio da Rua Pedro Queirós Pereira.
Foi um grande impulsionador de iniciativas culturais e religiosas e de apoio à população e ainda hoje é associado de várias organizações locais – de grupos desportivos/recreativos a associações de moradores -, sendo membro da Direcção da Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar.
«Quando vim da guerra, na Índia, em 1957, encontrava-me com a minha família em Lisboa completamente desorientado. A única pessoa que conhecia, e que procurava encontrar, era a minha namorada. Indicaram-me como chegar à Quinta da Musgueira Norte, onde ela vivia. Como nada conhecia de Lisboa, deram-me a indicação para ir de eléctrico e sair no Lumiar; e do Lumiar andei bastante a pé a procura dessa Quinta de D. Sebastião onde se encontravam a minha namorada e os seus pais, os meus futuros sogros. Casámos, mas logo depois, em 1958, fui desalojado daqui, da Quinta da Musgueira Norte, para uma barraca que tinha alugado em Benfica. Estive aí nos 3 anos seguintes, até 1961, quando infelizmente houve um desabamento de terras que deu cabo da nossa barraca
Então a Câmara tomou a iniciativa de me dar um lugar para morar e disse-me: “- Você vai para a Musgueira Norte”. Eu, como já conhecia o sítio, quis ir para o mesmo lugar onde eu me encontrava com a minha namorada, agora minha esposa. Deram-me o terreno para eu construir a barraca e enquanto eu trabalhava, a minha esposa ficou alojada na Quinta da Musgueira com os meus sogros que eram os feitores do Palácio de D. Sebastião. Fomos para a nossa barraca, e aqui passei a minha vida. Nasceram 5 filhos, o primeiro em 1962, e a mais nova nasceu em 1972, quando já vivia nos prédios da R. Pedro Queirós Pereira.
Tive uma vida boa na barraca. Uma barraca bem feita. Sempre fui muito trabalhador, agarrava-me a 2, 3 patrões e, para mim, um dia de 24 horas era pouco! Aproveitava, assim, de tudo. Criei os meus filhos na Musgueira Norte, um bairro que tanto adoro. É um bairro que tenho em grande consideração.
Na Musgueira Norte, eu vivia num sítio que era mesmo no coração do Bairro. Era ao lado do Centro Social da Musgueira. Aí desenvolvi as minhas iniciativas juntamente com o Padre Rocha e Melo, a D. Lucília Guerrero e outros que os acompanhavam. Criamos a nossa Associação de Cultura e Recreio – de que fui director -, e também criamos actividades para dinamizar a comunidade católica. Tivemos boas iniciativas, fiz parte deste projecto com muito gosto e honra. Ainda hoje sou muito estimado dentro do Bairro. Toda a gente me conhece e respeita-me. Vivo hoje em dia muito bem nesta comunidade.
Agora, faço parte dos órgãos dirigentes da Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar. Mas também faço parte da Comissão de Moradores da R. Pedro Queirós Pereira, sou sócio da Associação de Residentes do Alto do Lumiar (ARAL), da Associação Pintor Almada Negreiros, da Associação Moradores do Casal da Vista Alegre e da União Desportiva da Alta de Lisboa (UDAL) e do Recreativo Águias da Musgueira!
Sou um incentivador de ideias, e se às vezes uma ideia minha sai mal, há sempre alguém que aproveita e a transforma numa boa ideia».
Fonte: http://www.memoriascomvida.com/index.php?option=com_content&task=view&id=74&Itemid=34