JN – “Nem mais um Inverno no inferno”

A Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha, ao tomar conhecimento do problema humanitário que existe na Estrada da Torre nº 134, tem vindo a efectuar todas as diligencias no sentido de alertar a Câmara Municipal de Lisboa, a Assembleia Municipal, a Junta de Freguesia do Lumiar, partidos políticos com assento na CML, AML, AFL e o Grupo comunitário da Alta de Lisboa.

Já foi publicado a notícia no Blog Lisboa SOS, Blog Luminária e Blog da ARAL.

Recebemos no dia 26 de Novembro a informação pelo adjunto da Sr.ª Vereadora da Habitação Social, Sr. Pedro Tito Morais, foi solicitado à GEBALIS, E.M. o respectivo ponto de situação, que oportunamente dava conhecimento a AMBCV Lumiar.

Recebemos hoje dia 30.11.2009 a informação através do ofício nº OF/5485/GPCML/09 que o Sr. Presidente Dr. António Costa, encaminhou o assunto para a Sr.ª Vereadora Helena Roseta.

Importa sublinhar que estes casebres não estão sobre gestão da GEBALIS, devemos registar que  a AMBCV Lumiar também informou a Gebalis sobre este problema.

Mas o que importa é a resolução desta miséria, não deixe passar estas famílias nem mais um inverno, a viver neste inferno.

 Noticia  publicada hoje  no Jornal de Noticias

Pátio situado no Bairro da Cruz Vermelha, no Lumiar, está profundamente degradado. Apesar do risco de derrocada, reconhecido pelas autoridades, os moradores vivem entre aquelas paredes, à espera de soluções

 TELMA ROQUE – Jornalista do JN (3o.11.2009)

Perigo de derrocada, incêndio, explosão. O pátio dos Piçarra, no n.º 134 da Estrada da Torre, no Lumiar, em Lisboa, é um barril de pólvora, um cozinhado que cheira a tragédia com gente dentro. É uma Lisboa que já ninguém acredita que existe. Foram-se as barracas, mas ficaram os casebres. Lúgubres, miseráveis, ainda mais fúnebres e pavorosos do que as construções improvisadas que polvilhavam a capital.

O pátio nunca conheceu grandes confortos. Os metros quadrados sempre escassearam, mas as paredes e os telhados cumpriam, ainda assim, a sua função. Muitos anos depois, as paredes ficaram bambas, as telhas esburacadas e as águas começaram a esgueirar-se por entre os buracos.

Por causa de projectos e planos que nunca foram por diante, e na expectativa de deitar tudo abaixo, nada se fez pelo pátio. Foi-se deixando cair, todos os dias, mais um bocadinho. Os moradores é que não querem passar “nem mais um Inverno neste inferno”.

Maria de Lurdes, quase 70 anos, 50 dos quais vividos no pátio dos Piçarra, improvisa como pode. O cheiro a mofo quase asfixia quem entra no pequeno cubículo, obrigando os pulmões a acomodar-se a uma atmosfera inóspita.

A água que escorre pelas paredes é altamente corrosiva. Os armários da cozinha estão presos por barrotes. A porta do frigorífico fecha-se com a ajuda de um tijolo. “Olhe, a humidade é tanta que tive de tirar toda a roupa do guarda-fatos. Como não tinha onde a colocar, ficou em cima da cama e eu durmo a um cantinho”, explica. Quando vier “chuva a sério”, logo se vê. “No Inverno passado, quase não tinha lugar para ficar. A água aparecia em todo o lado”, conta Maria de Lurdes, que divide aquele espaço exíguo com um filho, a nora e uma bisneta. Mas já foi pior. Foi ali que criou três filhos com o marido. Apesar de tudo, tem uma espécie de casa de banho, com sanita e lavatório. Quando quer tomar um duche, aquece água em panelas e entorna para um jerricã, que pendura no tecto. Um verdadeiro luxo. Que, quase ao lado, Maria do Sameiro, uma cabo-verdiana que ali mora há mais de 15 anos, não tem. Lava-se na rua e despeja o penico numa pia comunitária.

No seu casebre não há espaço para inventar assoalhadas. Um madeiro divide o espaço que serve de cozinha e de quarto. Mesmo assim, partilha-o com um cunhado que veio para Portugal receber cuidados médicos e por cá ficou. Há ainda os ratos e as cobras, mas esses não pagam renda. O pátio tem senhorio e uma centena de euros é quanto paga por uma casa que não vale um tostão.

“É arrepiante, desumano. A Câmara tem de fazer qualquer coisa. Não pode haver soluções só quando há mortes. Por que é que estas pessoas não são realojadas?”, questiona José Bandeira, presidente da Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha.

“Eu não pago mais. Nem pensar!”, solta, revoltada, Adelina Brito, que se ajeita com três filhos no casebre ao lado com renda ainda mais elevada. “O senhorio nunca cá veio pregar um prego”, acusa, por sua vez, Teresa Gil, que sublinha nunca ter levado com um tecto em cima por ter feito obras. Não lhe caiu o tecto, mas um curto-circuito deixou-a sem electrodomésticos. “Nem os peixinhos do aquário se salvaram…”

 Fotos : Bruno Simões Castanheira / JN

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