Vila Sousa no LUMIAR – Prémio Valor -1912

Hoje deparei com a Vila Sousa no Google Earth, prémio Valmor de 1912  da autoria de Norte Júnior, um dos meus arquitectos de eleição. É um palacete arte nova que é uma autentica “peça de joalharia” de arquitectura num calamitoso estado de conservação… foi mais forte do que eu…

 Aproveitei uma ida a Lisboa e com uma escapadinha lá fui eu às ruínas… Fica situada na Alameda das Linhas de Torres, 22  que por ser um sítio difícil de estacionar, tive de parar  numa azinhaga que ladeia a propriedade  onde me introduzi pelas traseiras. Uma vez mais tive de saltar um muro e fiquei surpreendido pelo seu enorme tamanho , o terreno deve ter as dimensões de um campo de futebol e a casa é maior do que uma piscina olímpica.

 O que foi outrora um harmonioso jardim é hoje uma verdadeira exploração agrícola. Todo o terreno está  aproveitado com uma super horta, todos os centímetros quadrados estão plantados com uma cultura intensiva de couves galegas e outros géneros que tais. Deve ser a horta mais cara e mais chique de Lisboa, a avaliar pelo preço do metro quadrado nesta zona da cidade, além de se poder gabar de ser uma horta Valmor…

 Como não sabia se havia cães ou alguém por perto entrei a cuidado para evitar surpresas desagradáveis. Aproximei-me da casa pelas traseiras sem me ter apercebido da sua dimensão e traça da fachada. Desta vez comecei pelo fim e a excitação foi crescendo à medida que que me aventurava entre os muros e  escolhia ângulos que pudessem  transmitir o ambiente e tamanho deste monumental edifício

 As paredes exteriores foram consolidadas após todo o miolo ter derrocado sendo a única coisa que resta de pé… do seu interior restam apenas memórias que gostaria de acordar.  Tentei imaginar as paredes decoradas com frescos e quadros, os tectos com estuques rendilhados e lustres de cristal, o chão com elaborados desenhos de parquet, os salões e a biblioteca, os quartos e cozinha… 

 Toda a decoração deveria ser constituída por um enorme espólio de arte a avaliar pela envergadura e pela riqueza desta casa. Como teria sido  o dia a dia da família que ali vivia, os criados, os amigos e festas que certamente ali tiveram lugar … 

 Foi encomendado por José Carreira de Sousa, de quem tentei saber algo pela internete e nada consegui apurar, apenas posso neste momento alvitrar que era um  rico burguês, uma vez que não vem referidos em nenhum site de genealogia… fiquei curioso sobre este personagem…se alguém souber algo e quiser partilhar…

 Só descansei até ter vislumbrado a sua magnífica fachada, um deleite de arquitectura e decorada com riquíssimos pormenores decorativos que se mantém perfeitamente preservados.
As janelas são graciosamente traçadas, rematadas com arcos de volta perfeita, suportadas por colunas com capitel de inspiração coríntia e um toque de arte nova, que lhe dão um toque romântico muito característico deste estilo. A cantaria é minuciosamente esculpida com motivos florais e no frontão tem uma grinalda que se poderia considerar uma natureza morta… enfim, mais uma pérola deitada aos porcos…

 … Uma vez mais são inevitáveis as pertinentes questões da praxe…porque é que a Vila Sousa está neste estado??? Que medidas foram ou estão a ser tomadas no sentido de proteger um prémio Valmor??? Já  ouviram falar em obras coercivas??? Já alguém pensou na rentabilidade que poderia dar uma propriedade deste calibre??? É meramente uma questão financeira ou é apenas desleixo cultural??? Se for uma questão financeira arranquem as couves e plantem coisas mais rentáveis, talvez daqui a uns anos se consigam reunir verbas suficientes para reconstruir este monumento

fonte:  http://ruinarte.blogspot.com/

Publicada por Gastão de Brito e Silva em 3/18/2010 09:09:00 PM

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Uma resposta a Vila Sousa no LUMIAR – Prémio Valor -1912

  1. Amigo Gastão . Este palacete teve como último comprador um “pato bravo”, construtor conhecido na nossa praça, que com receio de não ver licenciado pela C.M.L.o “lindo” conjunto mamarrachos que para ali tinha pensado implantar, visto o edifício ser um prémio Valmor e de caracteristicas arquitectónias impares, resolveu criminosamente demoli-lo da noite para o dia . A conservação do esqueleto foi-lhe imposta pela referida autarquia e ainda deve estar á espera, como era e é, uso e costume , que o restante caia por força da gravidade, fruto do efeito do tempo, já que pela força bruta de ignorantes e analfabetos teimosamente se manteve de pé.É sempre um prazer rever o seu blog. Parabéns pela continuação do seu execelente trabalho.É um contributo inestimavável para a manutenção e conhecimento do nosso património e é acima de tudo responsável pelo despertar de consciências . Com os meus respeitosos cumprimentos
    Maria Helena da Veiga Cabral

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